Todo mundo sabe que os custos de obra tem o péssimo hábito de ultrapassar as melhores estimativas. O que pouca gente sabe é que existem ferramentas simples que podem evitar muitas surpresas financeiras quando a obra vem chegando no fim. Uma delas é a Curva ABC, mas antes de explicar o que ela é e como você vai utilizá-la para controlar preços, vou contar a história de uma estatística que mudou a forma de pensar sobre muitos fenômenos ao redor do mundo.

E só podia “começar” em pizza…                                                                                   

Há mais de 100 anos atrás, um engenheiro e economista nascido na França, mas com nacionalidade italiana, fez uma pesquisa sobre a distribuição de renda e riqueza na população. Nesse estudo ele revelou uma das estatísticas mais impressionantes e aplicável não só na economia, mas em praticamente em todas as disciplinas, que ficou conhecida como “Lei de Pareto”, “Princípio de Pareto” ou “Princípio 80-20”. Vilfredo Pareto (esse era seu nome) descobriu que 80% da riqueza estava concentrada em 20% da população. Essa relação 80/20 chamou a atenção de um consultor de negócios romeno, Joseph M. Juran, que aí sim percebeu que ela não ocorria só na economia, mas também em muitos fenômenos como:

  • 20% dos produtos geravam 80% dos lucros;
  • 20% dos clientes garantiam 80% das receitas;
  • 20% dos esforços garantem 80% do resultado;
  • 20% das causas provocam 80% dos efeitos.

O mesmo vale para orçamentos de obras! Vou explicar de maneira direta: seguindo o Princípio 80-20, 20% dos insumos de uma obra correspondem, em média, a 80% do custo total da obra.

  • Porque isso é importante ?

Se você descobre que o cimento corresponde a 5% de uma obra enquanto o prego corresponde a 0,2% – em qual insumo você vai se preocupar em chorar desconto e brigar por preço para gerar maior economia ?

Em uma obra com 1.000 insumos, você consegue mais redução e controle de custos se focar nos 200 insumos que representam 80% do custo total. É uma questão de eficiência: você consegue ser 4 vezes mais efetivo no controle dos custos da obra com a lista dos 20% desses insumos.

  • E como descobrir quais são esses insumos ?

É ai que entra a Curva ABC. Ela nada mais é do que a aplicação do Princípio de Pareto colocando em uma lista todos os insumos da obra com seu custo relativo (em % do total) e classificando em 3 categorias:

  • Faixa A: Insumos que representam 50% do custo total
  • Faixa B: Insumos que estão entre os percentuais de 50% a 80% do custo total
  • Faixa C: Demais insumos

Uma outra forma de apresentar a Curva ABC é através de um gráfico (até por isso que ela foi chamada de “curva”) onde os insumos são listados na horizontal e seus percentuais acumulados são expressos graficamente na vertical.

Veja um exemplo prático da Curva ABC na imagem a seguir que representa os valores de um orçamento de uma residência térrea com aproximadamente 400 m²:

Curva-ABC-obra-casa

Pra facilitar a leitura, vamos olhar só a lista dos itens que representam 80% do custo total:

Curva-ABC-obra-casa-80

Neste orçamento, haviam 153 insumos, sendo:

  • Faixa A – 8 insumos: 5,2% dos insumos = 49,2% do custo total
  • Faixa B – 19 insumos: 12,4% dos insumos = 30,4% do custo total
  • Faixa C – 126 insumos: 82,4% dos insumos = 20,4% do custo total

Veja como a Lei de Pareto foi válida neste exemplo: os itens das faixas A e B somaram 17,6% do total de insumos e representavam 79,6% do custo total. Nunca é uma relação perfeita 20/80, mas é sempre muito próxima a isso.

Analisando os dados, você irá perceber que o preço e a produtividade dos pedreiros e serventes da obra sozinhos tem impacto sobre quase 20% dos custos! Seguindo com cimento, porcelanato, areia e madeira temos totalizando mais de 40% dos custos, só nestes 6 itens… Vale ou não vale a pena ter essa informação quando for cotar preços ?

Caso você queira fazer o download da planilha com o exemplo, clique no botão abaixo:

Baixar-planilha

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