24/01/2019 FIIs, Investimentos 0 comentários

FII vs CDB vs Poupança: Como conseguir o primeiro milhão sem depender da loteria




Quem nunca imaginou ganhar a Mega-Sena da Virada e gastar milhões comprando uma mansão na praia, os melhores carrões e viajar o mundo. Mas, enquanto essa sorte não chega, que tal você pensar em como ficar milionário sem depender da loteria?

Neste artigo vamos te mostrar como chegar no seu primeiro milhão de reais:

  • Investindo na Caderneta de Poupança
  • Investindo em Certificados de Depósito Bancário (CDBs)
  • Investindo em Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs)

O objetivo aqui não é dizer que é fácil conseguir um milhão de reais e nem fazer uma recomendação de investimento. O que nós queremos mostrar é que existem diversas formas de investimento que permitem alcançar seu objetivo com relações de risco/retorno diferentes. Cabe ao leitor buscar sempre se educar financeiramente e escolher o investimento que melhor se adeque ao seu perfil.

Como presente aos nossos leitores, vamos disponibilizar a nossa planilha de como alcançar o seu primeiro milhão de reais para download para que possam brincar com os valores e avaliar os cenários que se encaixam na sua situação pessoal.

Planejamento Financeiro

Antes de explicar as formas de investir, é necessário ter o dinheiro para investir. “Ah, mas não sobra dinheiro no fim do mês para investir”. Realmente, não é fácil. É preciso ter disciplina e sacrificar alguns privilégios. Economize com seus gastos essenciais, evitando desperdícios com luz, água, telefone, internet, etc e procure cortar de vez gastos supérfluos. No entanto, nosso objetivo aqui não é te ensinar a economizar, há inúmeros educadores de finanças pessoais para isso. Nós queremos te ensinar a investir.

Com isso em mente, preparamos um passo-a-passo para te ajudar a chegar lá.

  1. Estabeleça sua meta

É mais fácil chegar na linha de chegada quando se sabe onde ela está! Por isso, a primeira pergunta que fazemos é: Qual valor você pretende alcançar?

Neste exemplo vamos mostrar como chegar no seu primeiro milhão de reais.

 

  1. Defina o valor inicial do seu investimento

Na maioria das vezes, o “start” do investimento se dá com uma graninha que já se tem guardada. É a aplicação inicial que pode vir de um bônus no trabalho, uma herança, ou mesmo um presente de algum parente. É aqui que você deve “quebrar o porquinho” para começar seu plano de ficar milionário.

 

Neste exemplo, vamos considerar como o valor inicial da aplicação em R$ 100 mil.

  1. Investimento mensal

É fundamental que você tenha a disciplina de investir todo mês. Considere esse valor como um custo fixo em seu planejamento financeiro. Invista primeiro e gaste depois. Vamos supor que a partir do primeiro mês você invista mensalmente R$ 1 mil.

Apesar de os rendimentos da Poupança e de Fundos de Investimentos Imobiliários serem disponibilizados mensalmente na sua conta, nós vamos assumir aqui que você já entende o poder dos juros compostos e vai reinvestir seus rendimentos. Caso você ainda não entenda a diferença entre juros simples e compostos, você tem que dar uma olhada no nosso curso de Economia e Finanças para Investimentos.

 

  1. Acréscimo anual

É natural imaginar que ao longo dos anos, você suba de cargo na empresa em que trabalha e, consequentemente, seu salário aumente também. Portanto, deveria sobrar mais dinheiro no fim do mês para torrar no shopping, certo? Errado!

É nesse momento que você deve aproveitar para encurtar seu caminho até seu objetivo.

Por isso consideramos um incremento anual nos aportes de R$ 500, ou seja, no segundo ano de investimento o investimento mensal será de R$ 1.500, no terceiro ano de R$ 2.000 e assim por diante.

  1. Início de aplicação e mês de reajuste de aluguel

Qual o melhor momento para começar a investir e alcançar sua meta? Essa resposta é fácil: o quanto antes! Quanto antes começar, antes você chega lá.

Para quem já fez nosso curso de Fundos de Investimentos Imobiliários, já sabe que os fundos imobiliários geralmente possuem uma data de reajuste de aluguel, em que todo ano o aluguel é corrigido pela inflação acumulada dos últimos 12 meses.

Neste exemplo vamos supor que você comece no início do ano de 2019 e que o FII hipotético realize o reajuste todo mês de abril.

Em nossa planilha, fizemos a simplificação de considerar que a correção inflacionária será feita uma vez ao ano. Isso corresponderia a um imóvel monousuário com apenas um contrato que só se reajustaria pelo valor da inflação, não considerando a valorização da cota. Na prática, os FIIs são multiinquilinos, com vários contratos diferentes e, portanto, com diversos reajustes em diferentes épocas do ano e com variação no valor de suas cotas.

Premissas de Taxas de rendimento e Inflação

  1. Fundos Imobiliários

Cada FII apresenta sua taxa de rendimento própria que varia de acordo com o desempenho do fundo e do gestor. Mas qual a taxa média de rendimento dos FIIs?

De acordo com os dados dos fundos imobiliários, em dezembro de 2018 (mais atuais na data de publicação deste artigo), a média dos rendimentos mensais foi de aproximadamente 0,65%.  Montamos um gráfico com intervalos de rendimento e a quantidade de fundos em cada intervalo para ilustrar a distribuição dos rendimentos. Apesar disso, essa é uma taxa real de rendimento, ou seja, acima da inflação, uma vez que os contratos de aluguel são corrigidos pela inflação.

Cerca de 37% dos fundos tiveram o dividend-yield entre 0,59% e 0,78%, intervalo no qual encontra-se a média. Apenas 9% dos fundos obtiveram resultados acima de 1%. Para exemplificar o uso da planilha, usaremos a taxa de 0,65%.

“Ah, então esse resultado garante o desempenho futuro do fundo?” NÃO!

“Então é só escolher a maior taxa de rendimento sempre?”  NÃO!

Esses resultados mostram apenas os rendimentos do último mês e não garantem a rentabilidade futura. Além disso, o dividend-yield  é a divisão entre o rendimento e o valor da cota do fundo, e caso o valor da cota tenha uma desvalorização, o dividend-yield irá ser mais alto. Por isso, é fundamental que você invista em conhecimento e analise criticamente a consistência dos rendimentos e a solidez dos fundos. Recomendamos nosso curso de FIIs para aqueles que buscam se aprofundar neste investimento.

Impostos de FIIs

Este investimento apresenta isenção de imposto de renda para pessoas físicas, então os dividendos mensais são líquidos. No entanto, o governo quer ser sempre sócio em qualquer negócio, por isso, é cobrado 20% de imposto sobre o ganho de capital.

Por exemplo, você comprou uma cota por R$ 100 e vendeu por R$ 110, você deverá pagar R$ 2 de imposto nesta cota (20% sobre os R$ 10 de ganho de capital).

  1. CDBs

Os Certificados de Depósitos Bancários são investimentos de renda fixa muito populares hoje em dia devido sua segurança e na maioria dos casos, previsibilidade.

Os CDBs são basicamente empréstimos que você faz ao banco e em troca ele te paga juros pelo seu dinheiro. Essa taxa de juros é o rendimento da aplicação e varia com o porte do banco, liquidez, prazos, se é pré ou pós fixado, entre outros fatores. Se quiser aprender mais sobre este investimento, em nosso curso Como Investir Dinheiro ensinamos de maneira rápida o que precisa saber para começar a investir com conhecimento.

Taxa DI

Apesar de variar com diversos fatores, a taxa de rendimento dos CDBs é atrelada ao indexador da economia DI – Depósito Interbancário, que é a taxa média de juros em que os bancos cobram ao emprestar dinheiro entre eles através dos CDI – Certificado de Depósito Interbancário. Os CDIs são títulos que somente bancos podem emitir.

Mesmo sendo uma taxa referente a empréstimos exclusivos entre bancos, os títulos CDBs são remunerados de acordo com uma porcentagem do DI. Em geral, os títulos CDBs remuneram no intervalo de 80% a 120% do CDI. Vamos utilizar como exemplo 90% do CDI.

Veja abaixo a variação do CDI mensal ao longo dos últimos anos:

Vale lembrar que CDB é o investimento e CDI é o índice de referência, por isso, não cometa o erro de dizer que vai investir em CDI.

Impostos de CDBs

Os CBDs seguem uma tabela regressiva de impostos sobre os rendimentos, que incentiva o investidor a deixar mais tempo seu dinheiro investido. Até seis meses de aplicação, incide a alíquota máxima de 22,5%, além do IOF, enquanto para aplicações com mais de 2 anos de duração, incide a alíquota mínima de 15% sobre os rendimentos.

  1. Caderneta de Poupança

A poupança é o investimento mais conhecido no Brasil e já existe desde a época de D. Pedro II. É uma aplicação taxada como ultra segura, com riscos baixíssimos, mas em contrapartida apresenta baixos rendimentos.

É essa a lei do risco vs retorno: quanto maior o risco, maior o retorno esperado pelo investidor.

O rendimento da poupança funciona da seguinte maneira:

  • Para SELIC > 8,5% a.a. : 0,5% a.m + Taxa referencial (TR)
  • Para SELIC < 8,5% a.a. : 70% da SELIC +TR

Hoje a SELIC é 6,5%, logo aplica-se a regra da segunda linha, resultando em uma taxa de 4,55% a.a ou 0,37% a.m. Apesar disso, essa taxa já chegou em 1,05% a.m. em julho de 2003.

Entretanto, este é um valor nominal (clique aqui para ler nosso artigo Taxa Real ou Nominal) e não é protegido da inflação como os FIIs.

Em muitos momentos, a inflação superou o rendimento da poupança, por exemplo, em janeiro de 2015 o índice IPCA (para entender a diferença entre os índices da inflação clique aqui) subiu 1,24% enquanto a poupança rendeu apenas 0,59%. Se você tinha dinheiro na poupança, neste mês o seu rendimento real foi de -0,64% (sim, negativo!). Mesmo com o seu saldo aumentando, você perdeu poder aquisitivo, ou seja, de forma geral, os produtos tiveram uma alta nos preços maior do que você teve na carteira!

Impostos da Poupança

Um detalhe importante é que esta aplicação é totalmente isenta de impostos.

Recapitulando

As premissas adotadas para calcular seu primeiro milhão são:


QUAL INVESTIMENTO VALE MAIS A PENA?

Ao inserir estes dados de entrada na planilha, você tem como resultado:

Neste caso, o melhor investimento é o FII e você é capaz de alcançar seu primeiro milhão em aproximadamente 10 anos. Consegue se imaginar sendo milionário em 10 anos? Pois é possível!

Esse é o poder dos juros compostos trabalhando para você e não contra você.

É interessante ressaltar que o valor alcançado é nominal e não real (se ainda não leu nosso artigo sobre o assunto, clique aqui). A planilha deflaciona o resultado para cada investimento, e perceba que quando o valor é alcançado antes, seu valor deflacionado é maior.

Além disso, perceba que com o tempo, no caso de investimento em Fundos Imobiliários, o seu dividendo mensal supera o seu aporte:

Ou seja, você ganha mais com seu investimento do que precisa aportar nele para seguir com seu plano de ficar milionário.

E SE EU QUISER INVESTIR EM CDB MESMO ASSIM?

Veja que quando você alcança seu primeiro milhão com Fundos Imobiliários, os outros investimentos ainda estão longe de chegar neste valor. Em abril de 2029, quando o investimento chega em R$ 1 milhão com FIIs, o investimento em CDBs está em R$ 695.402 (antes de impostos) e em R$ 652.117 com investimento na poupança.

ANÁLISE DE SENSIBILIDADE

Vamos agora fazer um exercício que se deve fazer em qualquer análise de investimento: análise de sensibilidade. Vamos comparar três diferentes cenários o cenário-base, o pessimista e o otimista.

FIIS

Perceba como a diferença entre os cenários aumenta exponencialmente com o tempo. Em 2048, após 30 anos de investimentos, o cenário otimista alcançaria R$ 25,5 milhões, enquanto o pessimista alcançaria “apenas” R$ 15,8 milhões.

CDBs

Em CDBs é possível notar que o valor acumulado no fim do período de 30 anos é bem inferior ao do FIIs. Mesmo no cenário otimista, o valor acumulado é de ~R$ 7,6 milhões, praticamente a metade do pior cenário com investimentos em FIIs.

Outro ponto interessante é que a curva do investimento é mais “suave”, pois não apresenta as correções pela inflação, como se nota os “degraus” no gráfico de FIIs.

Poupança

Os resultados para a caderneta de poupança são parecidos com os de CDBs, como mostra o gráfico. No melhor cenário, em 30 anos, você terá acumulado ~R$6,7 milhões. Não é pouco dinheiro, claro, mas comparando com Fundos Imobiliários, é um resultado bem inferior.

Vale ressaltar que todas essas análises feitas no artigo e disponíveis na planilha, são aproximações baseadas no cenário econômico atual e certamente sofrerão divergências. As taxas que ocorrerão de fato irão diferir das estimadas, no entanto, o princípio dos três tipos de investimentos é o demonstrado no artigo.

E ONDE EU POSSO BAIXAR ESSA PLANILHA?

Aqui mesmo! Só clicar na imagem acima ou clicando aqui.

E aí, quando você vai conseguir seu primeiro milhão? Faça o download da nossa planilha e coloque aqui nos comentários.

CURSO DE ECONOMIA E FINANÇAS

Para aprender mais de finanças de maneira rápida e sem enrolação, clique aqui e faça a primeira aula grátis do nosso curso de Economia e Finanças para Investimentos!

 

Esperamos que este artigo tenha te ajudado. Se gostou ou tem dúvidas comente aqui em baixo e compartilhe este artigo através das redes sociais. Para continuar aprendendo com os artigos dos RExperts clique aqui.