jul 11, 2016 FIIs, Finanças 3 comments

Porque não investir em Previdência Privada

Muita gente faz um plano de Previdência Privada no Brasil. Isso ocorre por várias razões:

  • Pois é importante poupar;
  • Pois o INSS não será suficiente para uma boa aposentadoria;
  • Pois existem supostos benefícios tributários (dedução de IR) e também;
  • Pois o gerente do banco diz que as “taxas do VGBL” estão ótimas.

É assim que muitas pessoas logo aos 20 e poucos anos anos já começam a direcionar parte de seus rendimentos para um plano de previdência privada como estes.

Vou explicar aqui por que eu não “invisto” em previdência privada e como que eu estou fazendo minha poupança de longo prazo render mais com imóveis. Tire suas conclusões e talvez quebre paradigmas com esta reflexão. Nossa intenção é deixar claro para nossos leitores como funcionam ambas a Previdência Pública (INSS) e Planos de Previdência Privada, explicando diferenças entre planos VGBL e PGBL, quais são os ditos “benefícios tributários” e compará-las com investimentos imobiliários, tudo isso somado à um raciocínio sobre a sua qualidade de vida.

A Previdência

Aposentados_RExperts

Previdência: s.f. Condição daquilo que é previdente, que prevê ou busca evitar previamente transtornos: medidas de previdência.

Previdência Social: Instituições governamentais ou medidas que, em caso de velhice ou doença, buscam resguardar ou amparar o empregado e suas famílias, através de pensões ou aposentadorias.

Portando a previdência (pública ou privada) nada mais é do que se preparar financeiramente para um futuro, quando pode-se ficar idoso e parar de trabalhar, perder-se o emprego, ter alguma doença grave, etc. Nosso futuro é incerto, e por isso alguns até a chamam de “seguro”.

Concordamos que essa preocupação com o futuro é válida e muito importante. Vamos adiante.

Previdência Pública – INSS (Instituto Nacional de Seguro Social)

logo_inss

No Brasil, a Previdência Social é um direito, previsto no art. 6º da Constituição Federal de 1988 entre os Direitos e Garantias Fundamentais, que garante renda não inferior ao salário mínimo ao trabalhador e a sua família nas seguintes situações: (conforme previsto no art. 201 da Carta Magna)

  • cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
  • proteção à maternidade, especialmente à gestante;
  • proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
  • salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;
  • pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes.

Dados estes benefícios, no chamado “Regime Geral” de Benefícios da Previdência Social, todo mês, um assalariado com carteira assinada tem deduzido de seu salário um percentual destinado ao INSS. Essa dedução compulsória varia conforme a faixa salarial de 8% a 11% sobre o salário com um máximo mensal de R$ 570,88 (acesse a Tabela de Contribuição mensal do Ministério do Trabalho e Previdência).

Na teoria, ao ceder parte de seu salário mensal, o trabalhador está “poupando” para no futuro poder gozar de benefícios financeiros. Na maioria das vezes a expectativa desse trabalhador é gozar de benefícios na sua aposentadoria por tempo de contribuição ou idade avançada, mas também poderia ser através de pensão por morte, auxílio desemprego ou os outros acima citados.

Na prática, o governo toma dinheiro dos trabalhadores contribuintes do INSS para repassar aos aposentados e pensionistas. Não funciona como o FGTS onde você tem um saldo acumulado de todas as contribuições que você mesmo fez e que você recebe nas circunstâncias permitidas. No passado, a arrecadação da previdência era equivalente à distribuição de benefícios, isso garantia a estabilidade do sistema. No entanto, hoje a arrecadação é bem menor do que as despesas. Sendo assim, a Previdência Pública brasileira é deficitária e precisa de aportes bilionários do governo federal para cumprir com os pagamentos aos beneficiários.

Pois é, mesmo sabendo-se dos pequenos e desinteressantes benefícios financeiros da Previdência Pública, infelizmente não se pode fugir de uma dedução destas. O pior é que muitas vezes o INSS beneficia absurdos como “falsos desempregados” que pedem auxílio desemprego ou coisas ainda piores como auxílio-reclusão que paga mensalmente um benefício a famílias de presidiários que cometeram infrações e prejudicaram a sociedade. Em 2009, uma auditoria do Tribunal de Contas da União verificou que haveriam por volta de 3,2 milhões de benefícios sendo concedidos sob forma suspeita. Imagine o prejuízo para os cofres da Previdência (ou melhor, o seu cofrinho da aposentadoria pública)!

Previdência Privada

Previdência Privada

Planos de previdência privada são aqueles que não possuem relação com o INSS e são portanto complementares à previdência pública (que todos nós concordamos não ser suficiente para se manter quando idoso). Nestes planos, pode-se escolher quanto deseja-se contribuir, com qual periodicidade queremos poupar e quando e como o montante poupado poderá ser resgatado. Estas previdências são basicamente uma poupança para ser resgatada no futuro de alguma maneira.

Um formato muito comum é quando um sujeito contrata um Plano de Previdência Privada e deposita mensalmente um valor (em muitos casos é feita dedução automática de salários). Isso acontece durante muitos anos (20, 30 ou até 40 anos), e quando a pessoa completar, por exemplo, 65 anos, o valor acrescido dos rendimentos poderá ser resgatado de alguma forma (descontando-se taxas cobradas e impostos). Gosto da foto acima pois ela mostra um resumo do que é previdência: Uma menininha começa a poupar e uma senhorinha que vai usar o dinheiro!

Nenhum cidadão é obrigado a aplicar neste tipo de previdência e nosso artigo busca refletir se isso seria uma decisão sábia ou não entendendo quais são os trade-offs desta aplicação e avaliar se investimentos imobiliários seriam uma solução mais interessante.

“Aposentado” – A primeira reflexão sobre Previdência Privada

Faça uma busca no Google Imagens com a palavra “aposentado” e veja os resultados: Senhores de idade fofinhos e felizes!

Ai está a primeira reflexão difícil de discordar: investir em previdência privada é guardar sua vida “para depois”. A explicação é simples, ao invés de utilizar aquele dinheiro durante a vida, você está guardando para usar na velhice (pois é lá que será possível usar esse dinheiro novamente).

Quando você preferiria viajar, na época em que você tem vigor físico e não tem medo de encarar aventuras ou mais adiante na vida, com os 70 e poucos anos, após uma vida toda de muito trabalho?

É uma realidade que idosos possuem menor capacidade motora e em alguns casos neurológica. Por isso a grande maioria das respostas que temos para essa pergunta é que as pessoas prefeririam ter mais dinheiro disponível para gastar quando jovem, ter esse “vidão” de viagens, passeios e tempo livre!

Por isso pergunto: Por que guardar tanto dinheiro para resgatar apenas nos últimos anos de nossas vidas sendo que a juventude é o momento onde mais deveríamos desfrutá-lo? Aqui vão umas respostas:

  • Para ter recursos para se manter quando idoso;
  • Pois quando for idoso provavelmente não conseguirei dar continuidade com a carreira (empregado) e continuar ganhando salários;
  • Para poder viajar e não trabalhar mais quando eu estiver idoso;
  • Para ter uma segurança adicional no caso de doença grave que me impeça de trabalhar precocemente.

Concordo com os pontos acima,  não me entendam mal, não estou falando que as pessoas não devam ter nada guardado por que já “torraram” tudo quando novos. Muito pelo contrário, tenho convicção da importância de poupar, mas de maneira inteligente! Será que existe alguma forma de poupar, mas de também usar o dinheiro ao longo da vida?

Existe sim, com investimentos em imóveis dos quais falaremos adiante.

Vinícios, o advogado de 31 anos

Vamos dar um exemplo. Vinícios é advogado, tem 31 anos e ganha R$ 15 mil por mês. Ele destina parte do seu salário mensal para aplicações em previdência privada. Fazendo isso ele deixa de utilizar aquele dinheiro em seu dia a dia (em viagens, lazer, restaurantes e com sua família) e está portanto abrindo mão das oportunidades da sua juventude para aplicar naquele plano. Ele está “postergando” a utilização daqueles “reais (R$)” de sua juventude dos 31 anos para sua “velhice” dos 65 anos em diante!

Será que não seria mais interessante para um jovem investir seu dinheiro em algo onde pudesse desfrutar dos rendimentos tanto aos 30 quanto aos 60? Será que existe um bem com o qual ele pudesse poupar para a posteridade e além disso já receber rendimentos desde já, enquanto é jovem e tem todo o vigor do mundo para fazer bom uso do dinheiro? É aqui que entra o Real Estate.

Real Estate como Renda e como Poupança para o Longo Prazo

Vaca Leiteira_RExperts

Se compararmos a Previdência Privada à um porquinho que você vai quebrar para utilizar os recursos daqui muitos anos, os Investimentos Imobiliários podem ser comparados a “Vacas Leiteiras” que ao serem compradas, geram recursos durante anos e ainda poderiam ser vendidas com valorização!

Talvez seja a hora de você se perguntar se deveria fazer uma Previdência Privada ou se não seria melhor investir em imóveis. Investimentos imobiliários, principalmente os voltados para locação, trazem dentre outros, alguns benefícios como:

  • Renda: imóveis para locação geram renda no curto prazo, no médio prazo e no longo prazo. Ou seja, você já pode ir utilizando aqueles rendimentos desde jovem, até quando estiver brincando com os netinhos na melhor idade;
  • Proteção contra a inflação: a renda do aluguel é reajustada por inflação anualmente, te protegendo de eventuais deslises da política pública;
  • Apreciação a longo prazo: o valor que você pagou poderá aumentar com o tempo, sendo que possivelmente quando precisar do dinheiro investido, você terá mais ainda.

Um típico plano de previdência não faz isso! O que ele faz é aprisionar seu dinheiro para você poder resgatá-lo apenas décadas depois. Reflita sobre isso! Quebre este paradigma, pense em investir em imóveis, para usufruir da renda desde já.

Ok ok! Mas existem muito mais riscos certo. Risco da inadimplência do locatário, risco da vacância, risco da super oferta (e redução do aluguel), risco de desenvolvimento (risco da construção). É verdade, investir em imóveis não é brincadeira, portanto é fundamental estar consciente dos riscos e mitigá-los.

Mas e os Benefícios Tributários da Previdência Privada?

Há quem ainda fale que existem benefícios tributários nos planos de previdência privada e assim esta aplicação se justificaria! Existem basicamente dois regimes tributários para planos de previdência, vejamos:

PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre

Neste tipo de plano, o beneficiário contribui com valores periodicamente e pode abater do Imposto de Renda anualmente o valor aplicado no plano (desde que este valor pago ao plano represente no máximo 12% da renda anual). Porém, no resgate, paga-se imposto sobre o montante total acumulado: por exemplo se o valor total acumulado para resgate no final do plano for de R$ 400 mil, será pago imposto sobre todo esse dinheiro (principal + rendimento!). Esse é um caso de “Toma lá, da cá” ou melhor “Dá cá, toma lá”. Na minha opinião, um belo “engana trouxa”!

VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre

As principais diferencias do VGBL são I) que não pode ser abatido do Imposto de Renda e II) que o imposto de renda é cobrado apenas sobre o rendimento. Caso o montante acumulado seja os mesmos R$ 400 mil, dos quais R$ 120 mil sejam os rendimentos, o IR seria pago apenas sobre o rendimento de R$ 120 mil. O que parece ser mais sensato. Fizemos uma planilha comparando um VGBL ao investimento em imóveis, leia na sequência.

Portanto, não se iluda. O Leão é feroz e ele vai abocanhar a parte dele de qualquer maneira! (Ressaltamos que, dependendo das finanças pessoais de cada um, esses planos ainda podem ser interessantes principalmente se a empresa onde trabalha faz parte dos aportes no plano para o funcionário).

Meu problema é que tenho dinheiro para aplicar na Previdência, mas eu não tenho para comprar um imóvel

Muitos de nós acreditamos que imóveis sejam bons investimentos e gostaríamos de investir em um terreno e construir uma casa para vender com lucro, ou mesmo comprar uma lojinha para alugar e receber aquele aluguel todo mês. Porém, quase sempre nos deparamos com um problema básico para investir em imóveis: a pequena disponibilidade de capital. Para um assalariado, aplicar R$ 500 por mês (5% de seu salário) em um plano de previdência é algo plausível, mas ter R$ 4 milhões para investir num imóvel comercial e alugá-lo já fica mais difícil! A maioria de nós não tem valores dessa magnitude disponíveis para investimento.

Temos uma boa notícia: o mercado financeiro disponibiliza um produto chamado Fundo de Investimento Imobiliário, que apesar de não ser amplamente conhecidos dos brasileiros, possibilita que mais pessoas invistam em imóveis. Estes fundos são instrumentos de investimento com objetivo de aplicar recursos financeiros no mercado de Real Estate e viabilizam que pessoas físicas e jurídicas comprem cotas, que representam uma fração do patrimônio dos fundos, e assim tenham direito à parte dos rendimentos e da valorização dos imóveis que os compõe com certa liquidez.

Através desses fundos, qualquer pessoa física poderia fazer aplicações com valores baixos e ainda teriam isenção de IR. Em nosso site, temos um uma seção inteira destinada a FIIs. Vale a pena ler.

Comparação entre Previdência e Fundos de Investimento Imobiliário

Em primeiro lugar, é importante que entendamos como se dão os rendimentos nessas aplicações. Na previdência, aplicações mensais são realizadas para que no vencimento o total seja resgatado. Com aplicações em FIIs, o investidor já recebe mensalmente rendimentos daquela aplicação e quando quiser ainda pode resgatar o valor investido somado da valorização. Veja o esquema de fluxos abaixo. Note que o rendimento dos FIIs é crescente e imediato.

Fluxos FIIs vs Previdência

Nós preparamos uma planilha comparando uma previdência VGBL ao investimento em FIIs (representando imóveis comerciais). A planilha pode ser acessada no botão abaixo.

RExperts – Previdência ou Real EstateBotão Download Planilha

Em ambos os cenários foram utilizados aportes anuais de R$ 10 mil (equivalente a  R$ 833/mês) e um prazo de 30 anos para as aplicações. A diferença como já falamos é que a Previdência nos devolveria tudo no final e a carteira de Fundos de Investimento Imobiliário  pagaria “dividendos” ao cotista mensalmente.

Gráfico Previdência

 

Na comparação, repare nos gráficos como na aplicação em FIIs você já começa a ter fluxos positivos ao longo do caminho enquanto na Previdência você só verá a “cor do dinheiro” no resgate, 30 anos depois, fora que nela sua exposição de caixa é muito maior! Além disso o saldo acumulado da aplicação imobiliária seria maior ao final do período.

Ressalto que na preparação desse estudo não foi considerada nenhuma valorização real das cotas de FIIs e também considerou-se que o cotista não reinvestirá seus rendimentos (o que daria um retorno muito mais expressivo). As taxas utilizadas foram 10% a.a para os rendimentos de cotas de FIIs e 4% para o VGBL, ambas taxas reais e condizentes com o cenário atual – vide planilha.

Previdência é importante para os indisciplinados

Investir em Real Estate para fazer uma “poupança” de longo prazo exige disciplina para realizar aplicações regularmente, para estar sempre atento ao mercado e analisar como andam os imóveis e seus rendimentos.

Por isso se você é uma dessas pessoas desinteressadas por sua vida financeira, que não quer prestar atenção aos seus investimentos ou mesmo dessas que, se tiver o dinheiro na conta, acaba gastando, considere sim fazer um plano de previdência privada ou outras aplicações financeiras. Mesmo sendo menos vantajosos na minha opinião, eles podem te garantir um futuro melhor.

Previdência tipo “Seguro de Vida”

Existem planos de previdência que possuem um tipo de seguro “doença grave” ou “seguro por morte” que antecipa o vencimento do plano e paga o valor integral ao cliente. Nesses casos, sem dúvida esses planos são uma melhor escolha. Você ou sua família ganha uma espécie de “bônus” por sua doença ou morte. Como considero que a maioria das pessoas não espera que esse seja o seu desfecho, não gosto de compará-los à investimentos imobiliários. Se você busca essa segurança é melhor não optar por imóveis.

Investir para a Velhice?

Poupe para o futuro, mas não sufoque seus sonhos de vida do presente!

Aprenda já a investir em FIIs como um profissional com nosso curso completo sobre o assunto.

Com este artigo esperamos incentivá-lo a fazer sempre uma reflexão sobre onde aplicar seu “suado” capital, avaliando o quanto isso pode ser benéfico no curto prazo. Lembre-se: não deixe sua vida para depois. Se gostou, concorda ou discorda, deixe um comentário aqui embaixo e compartilhe para que mais pessoas possam ler este artigo. Continue lendo nosso Blog.