25/05/2018 Investimentos 0 comentários

Geração Distribuída Solar: Um bom investimento para o bolso e para o meio ambiente




Neste artigo, seguimos nossa série de textos onde a intenção é explorar ao máximo Real Estate, e dessa vez estudando investimentos imobiliários relacionados à geração de energia elétrica.

Em nosso primeiro artigo tivemos a intenção de alinhar o conhecimento de nossos leitores sobre o tema. Falamos sobre a energia elétrica, passando por conceitos básicos: o que ela é, o que são corrente elétrica, potência e tensão, materiais condutores e como é gerada a energia em diversos métodos. Leia este artigo neste link.

Em nosso segundo artigo tratamos de um tema um pouco mais complexo que é a diferença entre a geração de energia de forma centralizada ou distribuída, sendo esta última, a mais relacionada a investimentos imobiliários. Leia este artigo neste link.

Neste terceiro e último artigo da série, iremos abordar como como são realizados investimentos em geração distribuída de energia solar no sistema elétrico nacional:

  • A geração de energia solar (energia fotovoltaica);
  • Os benefícios da geração fotovoltaica de energia;
  • Custos de instalações geradoras de energia solar;
  • Incentivos à geração de energia solar;
  • Geração Distribuída, seus benefícios em relação à geração centralizada;
  • Investimentos em energia elétrica fotovoltaica (geração distribuída solar);
  • Fazendas de Energia Solar.

Como Funciona a Geração de Energia Solar

Em nosso artigo sobre energia elétrica explicamos as várias formas de gerar energia através de turbinas (hidrelétrica, térmica, nuclear e eólica). Ao contrário dessas outras formas de geração de energia, a geração fotovoltaica não conta com a rotação de turbinas em seu mecanismo, mas sim com uma célula solar dividida em duas camadas de silício puro, a N (negativa) e a P (positiva).

A camada negativa possui elétrons que são excitados quando a luz solar atinge o painel, isto é, começam a se mexer devido ao ganho de energia. Com isso é gerado um “fluxo” de elétrons que quando deslocados através do material condutor entre o polo negativo e positivo geram a corrente elétrica.

Fonte: RExperts

No esquema acima apresentamos o funcionamento de forma simples e compreensível.

  1. Luz do Sol chega até a superfície do painel e excitam os elétrons da camada N (negativa);
  2. Os elétrons são conduzidos para o material condutor e geram um fluxo de elétrons gerando a corrente elétrica contínua;
  3. A corrente elétrica é capaz de acender a lâmpada (ou qualquer outro equipamento). Vale lembrar que o elétron nunca é “consumido” no processo;
  4. O fluxo de elétrons chega a camada positiva. E por fim voltam para a camada negativa devido ao campo elétrico existente entre as placas.

O vídeo do TED-Educação “How do solar panels work? – Richard Komp” ilustra muito bem esse mecanismo:

 

Alguns benefícios da Energia Solar

A geração fotovoltaica permite que a produção de eletricidade seja mais próxima dos centros consumidores ou até neles mesmos, pois é possível instalar as placas em praticamente qualquer lugar, ultrapassando a barreira enfrentada pelas hidrelétricas, por exemplo, que só podem ser instaladas locais distantes com grandes reservatórios e quedas d’água.

Quanto menor a distância entre a geração elétrica e o consumo, menor serão os investimentos e custos com transmissão, pois os gastos com torres, fios, isoladores, transformadores e mão de obra serão muito menores.

Além disso, a energia solar não emite gases poluentes prejudiciais a saúde humana como o CO, CO2, NOx nem SO2, resultados da geração térmica e evitam a inundação de grandes áreas como na construção de barragens para energia hidrelétrica. O melhor de tudo é que o “combustível” da energia solar é virtualmente inesgotável e grátis.

A Geração Fotovoltaica no Brasil

O Brasil tem o privilégio de possuir uma das maiores irradiações solares do mundo, mas é indiscutível que o Brasil ainda não explora esse benefício como deveria.

Fonte dos dados: ANEEL, ABSOLAR, EPE, INPE e REN21. Notícia Revista Exame de março de 2018.

Embora o Brasil possua irradiação solar superior a países como Estados Unidos, China e Alemanha, a sua capacidade instalada ainda é absolutamente inferior. Observa-se que a Alemanha mesmo com menos da metade da irradiação solar brasileira, possui capacidade instalada por habitante 100 vezes maior!

A China, com PIB per capita semelhante ao do Brasil, possui capacidade instalada por habitante 6 vezes maior! Para se ter uma idéia, a capacidade instalada solar da China é de 130 GWp, equivalente a quase 10 usinas de Itaipú. A capacidade instalada total do Brasil é de aproximadamente 159 GWp, juntando todas as modalidades de geração conectadas à rede.

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2017(BEN2017), a capacidade instalada solar em 2016 era de 80,9 MW, ou 0,08GW. Esse valor praticamente não aparece no gráfico abaixo por ser um valor muito pequeno quando comparado às outras fontes de geração.

O Custo da Energia Solar

Os fatores que influenciam no custo da energia fotovoltaica são:

  • Irradiação solar disponível
  • Custo e desempenho dos sistemas fotovoltaicos

Em termos de irradiação solar, já vimos que o Brasil tem ampla disponibilidade e com baixíssima variabilidade anual quando comparada a outras regiões do globo.

O desempenho dos painéis solares nos anos 50 era muito ruim, apresentando eficiência abaixo dos 5%, ou seja, convertiam em eletricidade menos de 5% da energia vinda da luz do sol e ainda custavam em torno de US$ 1.785/Wp de capacidade instalada.

Atualmente a eficiência das placas na conversão de energia aumentou para a média de 15%, custando de US$ 0,65/Wp a US$ 1,2/Wp em alguns países, isto é, as placas fazem “bem mais por bem menos”, tornando esta opção mais atraente.

Mas mesmo assim, converter apenas 15% da energia vinda do Sol ainda parece muito pouco não?! Já existem placas atualmente sendo desenvolvidas em laboratório que conseguem converter até 40%, imagine só quando isso chegar ao mercado.

No Brasil ainda existem alguns incentivos para investimentos em energia fotovoltaica que visam o fomento da energia renovável.

Principais Incentivos no Brasil

No Brasil existe o interesse em estimular o mercado de sistemas fotovoltaicos, como isenção de alguns impostos e apoios de financiamentos de projeto.

  • Isenção de IPI
    • Decreto nº 7.212. Desde 2010 os produtos de energia elétrica não sofrem a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados.
  • Isenção de ICMS
    • Até o último dia do ano de 2021 os equipamentos de sistemas de geração solar e eólica estão isentos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias.
  • Desconto na TUST/TUSD
    • Essas são tarifas relacionadas ao uso do sistema de transmissão e distribuição, respectivamente. Para empreendimentos até 30 MWp de potência (Geração Distribuída), existe um desconto de 80% em ambas as tarifas. Fonte: RN ANEEL 481/2012.
  • Isenção de PIS e Cofins na Geração Distribuída
    • Segundo a Lei 13.169, de 6 de outubro de 2015, há a isenção de PIS e Cofins sobre a energia gerada.
  • Inclusão no programa “Mais Alimentos
    • O programa que financia projetos a juros mais baixos abrange os equipamentos de produção de energia solar e eólica.
  • Apoio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
    • Desde 2015, através da Lei 13.203 de dezembro de 2015, o BNDES passou a financiar projetos de GD em escolas públicas e hospitais com taxas menores.
  • Plano Inova Energia
    • Em 2013 foi criado um fundo de R$ 3 bilhões para investir em pesquisa e inovação tecnológica em energias alternativas, incluindo a solar. Originado pelo BNDES, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e ANEEL, o fundo também mira em desenvolvimento de redes inteligentes de energia elétrica, linhas de transmissão de longa distância em alta tensão e eficiência de veículos elétricos.

Isso mostra o enorme potencial do Brasil e a tendência de investimentos nessa modalidade de geração.

Aumento dos investimentos nos últimos anos

Embora a capacidade instalada de geração solar ainda seja ínfima, observou-se que nos últimos anos houve um significativo aumento nos investimentos. Segundo a Pesquisa de Mercado Greener de 2017, de 2011 a 2017 a potência fotovoltaica total conectada à rede acumulada passou de 0,45MWp para 160,93 MWp, cresceu quase 360x em 6 anos.

Segundo este mesmo estudo, o mercado de Geração Distribuída Solar atingiu o faturamento de R$1,47 bilhões em 2017. Minas Gerais é o estado líder de potência conectada a rede, com aproximadamente 32 MWp enquanto São Paulo fica com a terceira posição, com 22 MWp.

Investimentos em Fazendas de Energia Solar

Fazendas de energia solar nada mais são do que usinas instaladas em áreas rurais. A grande vantagem é poder utilizar terras subaproveitadas na agropecuária para gerar eletricidade dando novamente uma função a essa propriedade (Real Estate). No Brasil, está se tornando comum fazendeiros venderem ou arrendarem parte de suas terras para empresas construírem as usinas solares.

Muitas empresas grandes como bancos, operadoras de telefonia, redes de fast food e farmácias possuem muitas unidades em imóveis consomidores de energia elétrica da rede. Quando somadas, as contas de luz de todas as unidades dessas empresas resultam em contas de luz milionárias todos os meses!

Dessa forma, através do net metering (já mencionado – leia), essas empresas poderiam reduzir significativamente essa despesa mesmo sem ter que fazer o investimento no equipamento de geração diretamente. Mas se a empresa consumidora não investe diretamente, de onde vem o capital necessário para as obras e os equipamentos?

Oportunidade de investimento

Como se fosse um build-to-suit (leia nosso artigo sobre construções sob medida), empresas especializadas arrendam ou compram uma parte de uma propriedade rural, importam as placas solares e outros equipamentos, geralmente da China, e constroem uma usina solar para atender a demanda de um ou mais clientes com unidades consumidoras.

Acontece que, no Brasil, essas usinas não podem vender diretamente para os consumidores a energia gerada. Sendo assim, na prática, as empresas consumidoras fazem a locação do imóvel e dos equipamentos geradores fotovoltaicos e utilizam a energia injetada na rede por essa unidade geradora para abater da sua gigante conta de energia elétrica nas várias unidades instaladas na rede de distribuição.

A empresa que construiu a usina permanece como dona dos equipamentos e responsável pelo imóvel arrendado (ou próprio) e é então remunerada por essa locação. Percebe como a energia elétrica também está relacionada ao Real Estate? Como construir um galpão e alugar, é possível construir uma fazenda de painéis solares e também alugar, mesmo que isso seja muito mais complicado atualmente.

A Oportunidade para Investidores

Recentemente estes projetos tem se mostrado muito rentáveis para as empresas do setor. Mas esses projetos demanda capital considerável para seu desenvolvimento e na maioria dos casos os idealizadores precisam de mais do que seu capital próprio para concluir os projetos.

Como usinas solar demandam obras de construção civil (em parte), existe a possibilidade de financiar parte da obra com bancos ou com órgãos de incentivo, mas em muitos projetos os desenvolvedores dos projetos buscam como alternativa atrair recursos de investidores, que aportam o capital em troca de participação do negócio e também participam das receitas dos empreendimentos que cuja vida útil é de mais de 25 anos com a tecnologia atual.

Se você gostaria de saber mais desta oportunidade de investimento e conhecer projetos de nossos parceiros entre em contato conosco através do e-mail contato@rexperts.com.br.

Esperamos que este artigo tenha te ajudado. Se gostou ou tem dúvidas comente aqui em baixo e compartilhe este artigo através das redes sociais. Para continuar aprendendo com os artigos dos RExperts clique aqui.