25/05/2018 Investimentos 0 comentários

Geração de Energia Elétrica: Centralizada ou Distribuída




O blog RExperts tem intenção em explorar ao máximo investimentos em Real Estate. Você que nos acompanha a algum tempo já deve ter lido sobre investimentos em empreendimentos não convencionais como data centers, self-storages, coworkings e até cemitérios. Nosso mercado pode ser extremamente criativo e vai muito além de incorporações residenciais “feijão com arroz”.

Uma nova forma de investir em Real Estate é utilizar propriedades para gerar energia elétrica e lucrar com isso. Nos últimos anos, com o desenvolvimento da tecnologia para geração fotovoltaica (solar) e expectativa de estabilização das regulamentações do mercado elétrico, já se nota aumento expressivo deste tipo de investimento.

Neste segundo artigo sobre o tema energia elétrica, iremos abordar como como são realizados investimentos em geração de energia explicando o sistema elétrico nacional:

  • O que é a Geração Centralizada de energia;
  • Transformação elétrica, o que é e porque é necessária;
  • Transmissão elétrica entre geração e distribuição;
  • Distribuição dentro de cidades até cada um dos pontos de consumo;
  • Geração Distribuída, suas diferenças e benefícios em relação à Geração Centralizada;

Este é o nosso segundo da série de três artigos relacionados ao setor de energia elétrica. Clique aqui para ler o anterior e ter o conhecimento completo do tema.

Geração Centralizada e o Caminho da Energia até nossas casas

A geração centralizada é caracterizada por grandes centrais de produção de energia elétrica, que no Brasil, majoritariamente, são usinas hidrelétricas ou termoelétricas com grandes capacidades instaladas. No entanto, apesar da grande capacidade de produzir eletricidade, estas usinas localizam-se muito longe dos grandes centros de consumo necessitando longas e custosas linhas de transmissão.

Leia mais para entender como é produzida a energia elétrica nas diversas fontes.

Neste infomapa que elaboramos, perceba que na geração centralizada, a energia percorre um longo caminho até que a energia chegue em nossas casas. É necessário transformar, transmitir e distribuir essa energia antes de podermos utilizá-la e isso tudo exige altíssimos investimentos.

Itaipu, por exemplo, é uma usina hidrelétrica com grande capacidade instalada (14.000 MWp), mas sem as outras etapas do sistema, não seria possível usufruir desta energia. Algumas das outras etapas são mostradas a seguir.

Transformação elétrica, o que é e porque é necessária

A transformação é a etapa que eleva ou reduz a tensão. Antes de conduzir a eletricidade nos postes da cidade, é necessário primeiro conduzi-la por longas extensões até chegar próximo aos centros de consumo.

Nesse longo percurso de milhares de quilômetros, ocorrem perdas relevantes de energia na forma de calor nos fios, e essas perdas são maiores quando a corrente é maior.

Como já explicamos em nosso artigo sobre eletricidade, dada a fórmula da Potência (P=I*U), para a mesma potência, quanto maior a tensão, menor é a corrente.

Portanto, antes de transmitir a energia elétrica, é feita a elevação da tensão para reduzir as perdas na transmissão. Além disso, essa etapa reduz o investimento nas linhas de transmissão que terão cabos com bitola menor, como já explicamos no nosso artigo de energia elétrica (leia). No Brasil, a tensão é elevada para até 750kV (750.000V)!

Mas então por que não se eleva a tensão em toda as etapas, inclusive em nossas casas para podermos perder menos energia em forma de calor?

Primeiramente, os equipamentos em nossas casas funcionam em tensões baixas por questões de segurança, para evitar acidentes elétricos fatais. Além disso, altas tensões geram o risco de rupturas elétricas, que ocorrem quando um material não condutor é ionizado criando uma descarga elétrica. Os relâmpagos e as faíscas do acendimento do fogão são exemplos desse fenômeno. No entanto não seria interessante que esses relâmpagos ocorressem nos postes de uma cidade ou no chuveiro de nossas casas, por exemplo.

Transmissão entre geração e distribuição

O estágio da transmissão é responsável em conduzir a energia dos centros geradores até as subestações próximas aos centros consumidores. Como já foi dito, a tensão é elevada nessas linhas de transmissão para evitar perdas de calor, entretanto para evitar descargas elétricas indesejadas, é necessário que as torres que suportam os fios condutores sejam altas suficiente para garantir o isolamento elétrico. E como você pode imaginar, quanto maiores as dimensões, maiores são os investimentos necessários. As linhas de transmissão da Usina de Belo Monte, por exemplo, foram orçadas em mais de R$5 bilhões!

As linhas de transmissão do Sistema Nacional Brasileiro (leia o artigo) chegam a 100.000 km de extensão, equivalente a 2,5 voltas em torno do mundo na linha do Equador!

Distribuição dentro das cidades até cada um dos pontos de consumo

Após a transmissão da energia, é necessário reduzir a tensão gradativamente para fazer a distribuição nos centros urbanos, isso é realizado nas sub-estações elétricas. Nesta etapa a eletricidade é distribuída nas cidades através de postes que vemos nas ruas, cuja tensão usualmente utilizada é entre 11kV e 13kV.

Para a eletricidade finalmente chegar em sua casa na tensão requisitada pelos equipamentos (110V-220V), é necessário que haja mais uma redução de tensão nos transformadores que ficam nos próprios postes, que frequentemente observamos em manutenção.

Geração Distribuída e suas vantagens em relação a Geração Centralizada

O conceito de geração distribuída, ou GD, pode ser caracterizada pela produção de eletricidade mais próxima ao centro de consumo, com necessidade significativamente reduzida da etapa de transmissão, que exige altos investimentos.

Contudo, não existe uma definição exata sobre este tipo de geração ou distância máxima para instalações. Alguns autores definem a Geração Distribuída como geração de até 50 MW de capacidade instalada, enquanto outros consideram 25 MW este limite.

A geração distribuída é associada a fontes renováveis por outros autores, mas é possível gerar eletricidade em pequena escala com recursos não renováveis, como o gás natural em pequenas turbinas. No entanto é claro que a Geração Distribuída é uma forma de investimento de notável potencial e como mostraremos nesta série de artigos, existem incentivos para promover o investimento privado no setor elétrico.

Sistema de compensação de energia elétrica (Net Metering)

Uma forma de geração distribuída bastante comum é a através de placas fotovoltaicas ou turbinas eólicas instaladas em residências, centros comerciais, shopping-centers e galpões industriais ou logísticos.

Através do sistema de compensação de energia elétrica, são gerados créditos quando um usuário produz mais energia que consome em dado momento. Por exemplo, placas fotovoltaicas instaladas no telhado de uma casa geram energia durante o dia, enquanto seus proprietários estão trabalhando. Esta energia não consumida naquele momento é “injetada” na rede de distribuição e será utilizada em outros pontos ligados à rede gerando créditos ao dono daquela residência.

Esses créditos são utilizados pela distribuidora de energia das cidades para abater da conta de energia da unidade geradora ou de outra unidade de mesma titularidade do proprietário, desde que esta outra esteja dentro da mesma área de concessão (da distribuidora).

Tornou-se muito comum o uso de painéis fotovoltaicos nos telhados das casas para a geração da própria energia e já é notável um aumento nesse setor. A energia gerada pelos painéis em um telhado é inserida na rede elétrica, ou seja, gera parte eletricidade que todas as outras pessoas utilizam em suas casas e empregos.

Apesar de uma unidade produtora de energia fotovoltaica contribuir com a oferta de eletricidade na rede, não é permitida a venda dessa energia “extra”, e por isso, ela é contabilizada de forma a ser convertida em créditos que abatem a conta de energia do gerador. Dependendo da quantidade de créditos que uma unidade fotovoltaica gera, é possível reduzir em até 95% o custo da conta de energia elétrica.

E se a produção for maior do que o consumo?

Nesse caso, a conta de energia elétrica não é reduzida a zero, muito menos o gerador recebe dinheiro de volta (infelizmente), pois ela é composta de tarifas de transmissão, distribuição e tributos, além da energia em si.

Fonte: ANEEL.

Utilizando Créditos em Outros Imóveis

Também é possível utilizar os créditos de uma unidade geradora para reduzir a conta de energia elétrica de outros imóveis sem placas solares. Para pessoas físicas, basta o imóvel estar registrado na mesma titularidade do imóvel que gera os créditos e este imóvel estar dentro da área de concessão da distribuidora.

Por exemplo, caso você tenha uma casa com painéis solares ligados à rede e quiser utilizar créditos desse imóvel para abater da conta de luz de um outro imóvel comercial seu como um escritório ou até outra residência alugada, isto é possível.

Esse tipo de investimento atualmente possui um payback médio de 7 anos.

Caso queira saber mais e investir nessa tecnologia em sua casa ou empresa fale conosco através do e-mail contato@rexperts.com.br.

No caso de pessoas jurídicas, existe a possibilidade ainda mais interessante de alugar módulos solares em usinas geradoras de energia fotovoltaicas (fazendas solares) e abater créditos em diversos imóveis ao mesmo tempo. Mas este é o tema de nosso próximo e último artigo da série onde falaremos especificamento sobre geração de energia solar, fazendas solares e investimentos nesse setor. Leia agora!

Esperamos que este artigo tenha te ajudado. Se gostou ou tem dúvidas comente aqui em baixo e compartilhe este artigo através das redes sociais. Para continuar aprendendo com os artigos dos RExperts clique aqui.