maio 02, 2015 Construção 2 comments

Composição de Preços Unitários (CPU): Técnica Simples para um Orçamento Mais Preciso





Se você já teve a oportunidade de trabalhar com um orçamento de obra completo, incluindo todos os quantitativos de consumo de material, sabe que o período de obra flui com mais segurança, controle e com menos desvios. Há clareza do escopo (o que fazer), quanto comprar e quanto pagar de cada insumo e serviço. Toda licitação de obra pública possui um e é por ele que a obra é fiscalizada. Uma das ferramentas para preparação de orçamentos é a “CPU”, mas antes quero contar como conheci as tabelas de composição de preços unitário.

Logo que me formei na faculdade, tive que preparar o orçamento de uma obra residencial (uma casa em condomínio fechado). Eu não tinha ideia de como fazer isso e comecei pelo óbvio: comecei a ligar para vários empreiteiros e casas de material de construção pedindo orientações. Ouvi tantos preços diferentes que parecia que eu fiquei mais confuso do que antes quando não sabia nada. Alguns cobravam R$ 300/m² somente a projeção da casa, descontando muros de divisa. Um me ofereceu R$ 150/m² só para levantar paredes. Outros cobravam R$ 450/m² incluindo “tudo”. “Puxa que bom, até elétrica ?” eu perguntava com imensa satisfação de ter encontrado o profissional que procurava. “Ah, elétrica não sei fazer.” “E a pintura?” “Também não…

Descobri que é muito difícil ouvir um preço por um serviço se você não estiver preparado para negociar. Eu precisava de respostas para perguntas como:

  • Quais etapas considerar na proposta?
  • Será que o orçamento do empreiteiro está caro?
  • Quanto devo comprar de material considerando as perdas?

Foi aí que apareceu uma licitação de concorrência de uma quadra poliesportiva da prefeitura municipal e a construtora na qual eu trabalhava tinha interesse em participar. Pesquisando o edital percebi que ele tinha um orçamento completo da construção e com todas as composições publicadas. Foi um divisor de águas, porque era só pesquisar em editais de obras públicas semelhantes àquela que eu precisava orçar (a casa, por exemplo) que eu conseguia diminuir muito o erro em comparação ao preço final obtido. Não ganhei a obra da casa, nem da quadra, mas os dois eventos me ensinaram muito sobre orçamentos.

Assim, para ajudar outros desesperados como eu já fui, resolvi compartilhar o seguinte conteúdo neste artigo:

  1. Como funcionam as tabelas de composição de custos;
  2. Dois casos práticos utilizando CPU’s;
  3. Quais as fontes de informação para fazer seu próprio orçamento.

Se a gente puder classificar os custos de uma construção do início ao fim, podemos separá-los em 5 grupos para facilitar o processo de orçamento:

  1. Projetos e consultorias
  2. Custos diretos de obras civis
  3. Despesas indiretas
  4. Remuneração da construtora
  5. Impostos e taxas

itens-orcamento-obra

Eu vou detalhar aqui como você deve orçar o item (ii) “Custos diretos de obras civis” através da composição de preços unitários.

Composição de Preços Unitários

Um conceito bem simples para entender o funcionamento dos CPU’s é o de Insumos vs. Serviços:

  • Insumos: existem 3 tipos de insumos:
    • Material: pedra, areia, cimento, barra de aço, lata de tinta, folha de porta…
    • Mão-de-obra: pedreiro, servente, armador, pintor, carpinteiro, eletricista…
    • Equipamentos: furadeiras, lixadeiras, betoneira, rolo compactador…
  • Serviço: é a combinação de um conjunto de insumos para entregar um “pacote de trabalho” mensurável.

Custos-diretos-construcao

Por exemplo, para se fazer 1 m² de parede o serviço seria “Execução de alvenaria em blocos cerâmicos de 14cm” com a seguinte composição de insumos:

  • 14 blocos cerâmicos de vedação (14x19x39cm)
  • 0,0133 m³ de argamassa mista
  • 1,1 hora de servente
  • 1,4 hora de pedreiro

Se você tem o preço unitário de cada insumo, você terá o custo unitário de 1 m² do serviço:

  • Blocos cerâmicos de vedação (14x19x39cm) – R$ 1,81/unidade x 14 = R$ 25,40
  • Argamassa mista – R$ 418,94/m³ x 0,0133 = R$ 5,57
  • Servente – R$ 12,63/h x 1,1 = R$ 13,89
  • Pedreiro – R$ 15,86/h x 1,4 = R$ 22,21
  • Total: (25,40+5,57+13,89+22,21) = R$ 67,07/m² de alvenaria em bloco cerâmico

Se você possui uma tabela com todos os preços de insumos da sua obra e outra tabela com os consumos de todos os serviços a serem executados com todas as quantidades, você tem condição de orçar todos os custos diretos.

Caso prático 1: Você precisa fazer uma parede de 10 metros de comprimento com 3 metros de altura. Um empreiteiro se oferece a fazer o serviço por R$ 1.000 – O preço está caro ou barato com relação ao mercado ?

Solução:

  • Com a composição detalhada acima, temos que cada m² de alvenaria tem um custo de R$ 36,10 (R$ 13,89 de servente + R$ 22,21 de pedreiro)
  • A parede tem 10m x 3m = 30 m²
  • 30 m² x R$ 36,10 = R$ 1.083,00

Logo, o serviço oferecido por R$ 1.000 parece estar adequado com o mercado e você aceita.

Caso prático 2: Supondo que você feche negócio com o empreiteiro acima, qual o prazo estimado de execução se ele disponibilizar 2 pedreiros e 2 serventes ?

  • 30 m² de alvenaria precisa de:
    • 1,1h x 30 = 33h de servente
    • 1,4h x 30 = 42h de pedreiro
  • Supondo uma jornada de trabalho de 8 horas diárias:
    • 33h de servente ÷ 2 serventes ÷ 8 horas = 2,0 dias
    • 42h de pedreiro ÷ 2 pedreiros ÷ 8 horas = 2,6 dias
  • Com os cálculos acima, vemos que o gargalo é o número de pedreiros e que a tarefa irá consumir quase 3 dias de trabalho.

Você percebeu um recurso extra ao utilizar as composições de custo?

Sim, é possível ter uma estimativa de quanto tempo cada tarefa consumirá para um dado tamanho de equipe. Você também pode definir um prazo e dimensionar a equipe com essas informações em mãos.

Fontes de Informações

Tudo está muito interessante, mas o mais importante eu não falei: onde conseguir esses consumos ?!

A situação ideal e mais precisa seria obter esses números com os dados históricos da sua empresa construtora ou dos seus fornecedores. É muito provável que você não tenha esses números porque é muito custoso fazer essas medições.

Uma das mais completas fontes de composições é a Tabela de Composições de Preços para Orçamento (TCPO) da Editora Pini. Ela é vendida em CD ou livro e vale a pena investir se você precisa utilizar sempre.

Existem opções muito boas e gratuitas na internet. Órgãos do governo precisam dessas composições para orçar obras públicas e publicam periodicamente esses dados. Não é tão completo como a TCPO, mas possui cerca de 90% dos serviços que você possa precisar. São elas:

Logo-FDE-SP

FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação (Governo do Estado de SP)
Possui a composição dos principais serviços para obras de reforma e construção de escolas.

Logo-SIURB-PMSP
SIURB – Secretaria Municipal de Infraestrutura e Urbana e Obras – Prefeitura de SP
Possui excelentes tabelas de composição em Excel, tanto para obras de infraestrutura, como para edificações.

Logo-SINAPI-CAIXA

SINAPI – Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – CAIXA
Possui tabelas de custos de insumos e serviços de todos os estados. Você deve abrir a página e procurar na letra “S” na lista de downloads.

Logo-DER-SP

DER-SP – Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de SP
Possui preços dos serviços para obras de infraestrutura.

Logo-PINI

Guia da Construção – Ed.Pini
A própria Editora Pini possui no seu site os custos de vários serviços de construção, ele dá o preço sem a composição (assim como o SINAPI), mas é muito bom para ter uma ideia da ordem de grandeza do preço unitário do serviço.

Você tem mais alguma fonte de informação ?

Comente aqui embaixo para eu incluir no texto!

Não deixe de ler também nosso artigo com uma planilha de orçamentos para download que contém todas as composições de preços unitários da SIURB, clique aqui.

Espero que tenha ajudado!

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